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Nunca Foi Sobre Talento: Arte como Trabalho e a Crítica da Precarização

opinion-review · 2026-04-27

O ensaio de Filipe Lippe argumenta que a arte deve ser compreendida como trabalho para politizar o setor e combater a precarização. A separação histórica entre arte e trabalho, consolidada no Romantismo e na Revolução Francesa, serviu a um projeto de classe burguês que desfuncionalizou objetos e criou o mito do artista gênio. Esse mito, segundo Lippe, é a máscara ideal para o neoliberalismo, que transforma artistas em empreendedores de si mesmos, sujeitos à exploração e à informalidade. O texto cita Katja Praznik, que compara o trabalho artístico invisível ao trabalho doméstico feminino, e Kuba Szreder, que define o 'projetariado' como a massa de profissionais que vivem de editais e projetos temporários. Lippe menciona exemplos históricos de organização trabalhista, como o Artists' Union nos EUA (1930s), o BKR holandês (1956-1987), e o Artists' Union no Reino Unido (1972-1984). No Brasil, destaca o cancelamento da exposição Queermuseu (2017) e a performance La Bête de Wagner Schwartz (2017) como casos de ataques conservadores à arte progressista. O autor conclui que a luta por direitos trabalhistas e o reconhecimento da arte como trabalho são essenciais para a emancipação e a transformação social.

Key facts

  • Filipe Lippe é artista, poeta e teórico baseado em Berlim, doutorando em filosofia e história da arte pela HFBK Hamburg.
  • O ensaio defende que conceber a arte como trabalho é uma forma de politizar e organizar o setor.
  • A separação entre arte e trabalho foi um projeto de classe da burguesia, consolidado no Romantismo e na Revolução Francesa.
  • Katja Praznik, em 'Art Work: Invisible Labor and the Legacy of Yugoslav Socialism' (2021), compara o trabalho artístico invisível ao trabalho doméstico feminino.
  • Kuba Szreder, em 'The ABC of the Projectariat' (2021), define o 'projetariado' como profissionais que vivem de projetos temporários e editais.
  • O mercado global de arte gerou US$ 57,5 bilhões em 2024, segundo o Art Basel & UBS Art Market Report de 2025.
  • No Brasil, a exposição Queermuseu foi cancelada em 2017 no Santander Cultural, Porto Alegre, e a performance La Bête de Wagner Schwartz foi atacada no MAM-SP em 2017.
  • Exemplos históricos de organização trabalhista incluem o Artists' Union (EUA, 1930s), o BKR (Holanda, 1956-1987) e o Artists' Union (Reino Unido, 1972-1984).

Entities

Artists

  • Filipe Lippe
  • Wagner Schwartz
  • Gaudêncio Fidélis
  • Luiz Camillo Osório
  • Walter Benjamin
  • Hans Belting
  • Boris Groys
  • György Lukács
  • Katja Praznik
  • Kuba Szreder
  • Ricardo Basbaum
  • Ruud Lubbers

Institutions

  • HFBK Hamburg
  • Santander Cultural
  • MAM-SP
  • Art Basel
  • UBS
  • ArtReview
  • Artists' Union (EUA)
  • Harlem Artist Guild
  • Federal Art Project
  • Art Workers' Coalition
  • BKR (Beeldende Kunstenaars Regeling)
  • BBK (Beroepsvereniging van Beeldende Kunstenaars)
  • Rijksmuseum
  • Artists' Union (Reino Unido)
  • Arts Council
  • CPI dos Maus-Tratos
  • Lei Rouanet

Locations

  • Berlim
  • Alemanha
  • Duque de Caxias
  • Rio de Janeiro
  • Brasil
  • Porto Alegre
  • São Paulo
  • Nova York
  • Estados Unidos
  • Harlem
  • Países Baixos
  • Reino Unido

Sources